14 de mai de 2007


Fui para o quarto como faço todas as noites, coloquei o despertador do celular em ativo, fiz minha orações e como é meu costume repassei o meu dia, lembrei os lugares que fui, relembrei as conversas que tive, agradeci por cada momento alegre e por cada momento difícil (esses em dobro). Enfim adormeci, aquele sono sem interrupções que dura a noite toda, é incrível os lugares que se pode ir, pessoas que se pode conhecer, coisas que se pode fazer nesse curto espaço de tempo.

Lembro que estava em um deserto...
Por incrível que pareça não tinha sensação de calor ou sentia sede, muito menos solidão, ali, tudo me satisfazia, estava completo.

Estando sentado, fecho os olhos na tentativa de entender o que se passa. É então que sinto outra presença, ao abrir os olhos, me vejo, ali, sentado a minha frente esta alguém completamente igual a mim, estendo o braço na tentativa de espantar a miragem, mas antes que faça isso ele diz:

- Não precisa fazer isso, eu sou real.
Espantado, pergunto:
- Você, sou eu?
- Sim
- Que lugar é este? Não sinto calor nem sede. Como é possível?
- Este é o deserto que todos nós temos, onde nada pode chegar, a não ser que você ou eu o permita. Aqui você constrói e derruba seus sonhos, faz e desfaz amizades...
- Admirado olho em volta, não vendo nada, me pergunto onde estão meus sonhos e amigos?
Minha imagem, como se tivesse lido minha mente responde:
- Não se preocupe, você os tem, este espaço é imenso, espalhado por ele existem vários sonhos iniciados e terminados, outros abandonados e muitos a espera de serem sonhados, quanto a amigos, todos que passaram em sua vida estão lembrados aqui de alguma forma, alguns com monumentos, outros com uma simples folha de papel escrito seu nome. Poucos, raros, são aqueles que conseguem ocupar todo este espaço.
- E você, quem é?
- Já lhe disse, você. Todas as vezes que se questiona, que reflete, é a mim que faz essas perguntas, é a mim que recorre nos momentos de solidão. Alguns me chamam de essência, outros de uma pequena parte de Deus, mas geralmente me chamam de alma.
Nesse momento o celular desperta, acordo assustado, ainda com a imagem de mim mesmo, minha alma, muito viva em minha lembrança. À medida que desperto uma alegria cada vez maior me invade, tomo consciência de algo que até então, não tinha percebido, deste dia em diante a solidão não mais me atormentará...
Pois só esta sozinho quem não conhece a si mesmo...

Fabian

Um comentário:

Cris Soares disse...

Maravilhoso... ao ler fui me imaginando nessa cena.
Perfeito, meu parabéns Bian.
Bjosss